‘Alma Gorda’

Algum padrão social está errado!

Ou somos felizes ou somos magras! Na maior parte do ano, alegria é comer!

Estava aqui, desfrutando da fome, enquanto a calça apertada me lembra que não posso comer, e pensando: de dezembro a abril é impossível ser feliz e magra…

Dezembro
Bom, o óbvio, não bastasse ser o mês da exaustão, tudo nos compila a compensar o estresse do ano todo no que?! Na comida! E este mês é o pior de todos, não falta comida.. Já escreveram sobre isso no blog. Claro, para quem ainda sonha em viver o padrão da magreza atual, essa é a pior época do ano: tem rabanada, tem chester, peru, panetone, bacalhoada, chocotone, pernil assado e muito álcool…

Janeiro e fevereiro 
O ano começa quente, com um verão dos infernos e tá todo mundo falando em Carnaval. Como se não tivéssemos acabado de sair do Natal e Réveillon, sem ainda conseguirmos abotoar as calças!
Começa todo mundo a correr pra malhação, mas adianta?
Ou acabamos com as poucas férias que nos são concedidas na academia ou, optamos pela felicidade e vamos viajar, comer uma comida diferente, vamos ao cinema (que pede uma pipoca).

Março e Abril
Março é um mês light. Se não for o seu aniversário, ou o da sua mãe, ou do seu namorado, ou de nenhum dos seus irmãos.. Enfim, de ninguém que você conheça, é um mês que dá pra manter a dieta numa boa. Sem sofrimento.. Para isso, claro, temos que ter tempo livre para cozinhar a nossa própria comida, temos que ter um controle hormonal ferrado para não perdemos a linha naqueles dias em que todo mundo decidiu comer doce na nossa frente, temos que ter tempo livre também pra malhar, mas malhar de verdade! E ainda temos que trabalhar a mesma quantidade de tempo que todo homem trabalha com todo aquele metabolismo acelerado, para podermos nos sentir “realizadas”. (¨&$%(*)*&%$%¨(*+fg#$$%!!
Só que mal você engatou na vida saudável e chega o que? A Páscoa!! Dá pra ser feliz na Páscoa sem comer chocolate? Bom, nesse caso, então, o negócio é ser gorda..

Enfim, minha calça continua apertada, eu continuo com fome, gorda e infeliz. Esse é o pior cenário… O negócio é esperar a Páscoa passar e torcer para que no resto do ano ninguém decida comer doces na minha frente, ninguém me convide para casamentos ou aniversários, etc. e assim, eu talvez consiga ter um semestre gorda, mas feliz e outro magra e infeliz…

Compra coletiva de gordo!

Tive a honra de me convidar para escrever neste blog que gosto tanto. Isso mesmo. Identifiquei-me tanto com a página, apesar de pesar (hmmm, acho que rolou uma cacofonia, né? Enfim.) 78 Kg. Mas o assunto que quero colocar na mesa redonda – com todos os trocadilhos – é a falsa magreza.

Sim. Considero-me um falso magro. Tá ligado nos braços finos, pescoço esguio e… aquela pochetezinha logo abaixo de suas costelas à mostra? Pois é. Os falsos magros também passam por inúmeras peripécias na vida. Fica uma parada disforme. Vou explicar melhor.

Quando você é um gordjeenho, sua adiposidade é devidamente distribuída pelo seu corpitcho, ou seja, há uma uniformidade. Quando você aparenta ser magro e, na verdade, tem uma barriga sinistra que marca todas as suas blusas, você está fadado a toda sorte de comentários do tipo: “Você engana bem, hein?” ou “Você é o verdadeiro falso magro!”. AFF.

Preocupado, ou melhor, frenético pela busca da diminuição da pochete, comprei, no susto, uma promoção de oito sessões de LIPOCAVITAÇÕES em um site de compra coletiva. O processo é o seguinte: uma mulher linda, loira, gostosa e sorridente assume as rédeas de um aparelho de ultrassom, que segundo ela é “dez vezes mais forte do que aquele utilizado para checar o sexo do bebê”.

Ela passa por 20 minutos o aparelho na região escolhida para o abate. (eu, logicamente, escolhi a pochete-natural-adiposa.) Depois, você segue para o que elas chamam de massagem modeladora, que, na verdade, é um espancamento consentido. ¬¬

O feitiço (ou a lenda) é que os raios “quebram” as células de gordura, que caem na corrente sanguínea e depois são processadas pelos rins. Por isso, que no decorrer deste bafo todo, você tem que se entupir de água, para que a gordura saia no xixi. Simples assim.

Como não tô morto nem nada, decidi agilizar este processo BOTA FORA. Todos os dias de manhã, em jejum, bebo um copo gelado de água de berinjela. Os antigos dizem que é batata para emagrecer e abaixar colesterol! ;-)

Ah! Perdi 3cm de barriga em 5 sessões. Se isso é bom ou ruim, eu não sei. Mas o psicológico tá foda!

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ÁGUA DE BERINJELA

Corte a berinjela em rodelas. Coloque-as dentro de uma garrafa, leiteira, ou quer coisa que caiba as rodelas e água. Coloque na geladeira e beba um copo em jejum.

Babu in concert!

Pessoal,

amanhã, dia 19 de outubro, vai rolar festival de música lá na UFF e nossa fatshionista de plantão (aka dona Bárbara Boneca) vai tocar às 20h. Cola lá!

 

~ Be or not to be ~

Ser gorda e estar gorda não são a mesma coisa.
Neste final de semana, eu fui comemorar o aniversário da minha querida amiga Maristela. Somos amigas desde 2003, mas não nos vemos com muita frequência.Eu queria muito dar parabéns a ela, pelo aniversário e também pelo trabalho que tem feito com o blog. Eu sou fã de carteirinha desde o primeiro dia!
Daí, inevitavelmente, surgiu o debate clássico: o quanto nós engordamos nos últimos anos!
Quando eu a disse que estava me sentindo super gorda e que vestia 42, ela riu de mim e disse que 42 não é número de gorda. Daí veio a ideia deste post: existe um número de manequim limítrofe que dizer se alguém é ou não gordo?
Nos concursos de beleza plus size existe um número mínimo (no Miss Plus Size Carioca, o manequim mínimo é 46).. As lojas especializadas anunciam sempre os números grandes de manequim que vendem.. Ou seja, considerando uma mulher de estatura média, podemos sim dizer que existe um número de manequim que define se alguém é ou não é gordo.
Só que não apenas de gordos e magros vive o mundo. Existem também os GORDINHOS!
Neste grupo, bom.. Neste grupo, pode entrar quase qualquer número de manequim! Se a roupa entrou, tá servindo! É apertar um pouco aqui, ali, ter um corte mais generoso e pronto. A pessoa fala que veste 42 e até parece que é magra, mas não é!
Certamente todo mundo já ouviu falar da falsa magra, mas também tem aquelas que são magras “em comparação”, mas se vc olhar bem, ela é GOR-DI-NHAAA!
No meu caso, visto 42 desde meus 14 anos! Não se iludam, de lá pra cá, muita coisa mudou… Muita coisa cresceu, muita pele caiu, estrias apareceram… celulites, então! Enfim, eu obviamente não tenho o mesmo corpo dos meus 14 anos… Ao longo do tempo, mesmo mantendo este mesmo manequim, hora a calça ficava apertada, hora ficava larguinha.
Ou seja, de tempo em tempo, eu sentia que *estava* gorda!
Provavelmente, muitas das leitoras do blog são como eu: conseguem, em regra, manter a linha, mas vivem escapando dela, passando a se sentir imensamente gordas. Ainda assim, não assumem ou não aceitam a gordice e não se entregam para manequins mais altos. Afinal, se comprar uma calça apertada é um grande estímulo para emagrecer, comprar uma de número maior que o habitual é entrega total!!

Acho que aí beira a diferença entre *ser* e *estar* gorda.
No entanto, enganam-se aquelas que acham que a vida das gordinhas é mais fácil. A primeira grande dificuldade é perceber e aceitar que está gorda: todo número a mais é um número a mais, mas o efeito de um número a mais em alguém que estava no peso “ideal” e agora está “gordinha” pesa muito! A outra grande dificuldade é acertar o guarda roupa. Às vezes, engordamos por razões momentâneas: uma viagem, um estresse, etc. Ainda guardamos a esperança de voltar ao peso normal. Nesses casos, como fazer para não parecer esmagada em todas as suas calças sem ter que trocar todo o armário? Bom, no meu caso, a única alternativa que eu encontrei é usar meus vestidos diariamente, esperando que essa fase passe… Se ela passar…
Ou seja, plus size não deve significar apenas um “número grande”, mas um “número acima”, acima do que o padrão de beleza mainstream nos impõe! E assim esse blog serve para todas nós: gordas e gordinhas!

Mais uma vez, parabéns pela iniciativa e criatividade e obrigada pelo espaço! =D

Gordófilo : )

Arthur des Pins é um artista francês formado pela Escola Superior de Artes Decorativas de Paris, ilustrador, director, animador e com uma visão diferente na hora de ilustrar o corpo feminino. As pinups tradicionais já ganharam muitas releituras modernas, mas a maioria delas acaba descambando naquele traço à la Marvel batido, com uma cintura tão fina que não sustentaria o corpo e pernas tão longas que se quebrariam. Eu sei, eu sei, a arte é uma leitura e não a representação fiel da realidade, mas a verdade é que essas releituras ficaram com traços um tanto quanto vulgares, que em pouco lembram as originais. Mas esse não é o caso de Arthur des Pins. Com gráficos vetoriais bastante limpos, ele consegue representar o corpo feminino de uma forma que muitos consideram estereotipada, mas que eu acho que está bem mais próximo da realidade do que uma Kate Moss, por exemplo. O que eu mais gosto no traço de Arthur des Pins é o modo como ele cria mulheres voluptuosas com um ar de inocência…e gordinhas! Gordinhas lindas, diga-se de passagem.

Site Oficial  do artista.

Abaixo algumas gordinhas lindas:

 

O mundo acabando…

Deu na Época (com trocadilho): “Mulheres gordinhas fazem sexo no primeiro encontro

Aí você pensa, né: Porran, todo mundo já me olha porque sou gorda e ainda dizem que dou mais que piriguete. E ainda vai ter gente dizendo que gorda dá no primeiro encontro porque precisa se exercitar. Olha, fica a dica: gorda não gosta de exercício nem de suor.

Não são as gordinhas. São TODAS as mulheres. Olhem em volta: olha o tamanho dos vestidos!!! Se uma menina sai com um trapinho que cobre a calcinha e nada mais, ela quer o que? Rezar?

Meu namorado diz que adora plus size porque somos mais espontâneas (ele prometeu escrever sobre o assunto aqui). Sexo no primeiro encontro não é algo ruim. Ruim é se esfregar na boate inteira e querer pagar de santinha.

Seja magra ou seja gorda, seja feliz. Quer dar? Dá. Não quer? Não dá. E vou evitar o clichê da “responsabilidade”, porque se isso é algo te preocupa na hora, é porque você não quer.

Não curto o mote “Gordinhas unidas jamais serão vencidas”. Você pode se realizar seja lá qual for a sua forma física. E você também pode deprimir. E por um milhão de motivos além do seu sobrepeso – como qualquer pessoa com qualquer IMC. E a essa altura do campeonato o que mais me preocupa é que tomarei remédios cujos efeitos colaterais é perder peso. Minha personalidade pesa 30kg, gente!

Vão achar a cura do câncer e ainda haverá burrice, mau caratismo, grosseria e malandragem. E sabe sobre o que as revistas vão falar? Gordas!

 

Exposição! Louise Bourgeois


Mamelles, 1991. Tetas. Boracha, fibra de vidro e madeira.

Aconteceu ontem a abertura de “Louise Bourgeois – O retorno do desejo proibido”. A artista (que citei aqui), ao longo de seus 99 anos, produziu uma obra relacionada com a prática e a teoria psicanalista, não se limitando a um determinado material ou meio expressivo. Para Philip Larratt-Smith, o curador da mostra, a arte e os escritos de Louise “representam uma contribuição original à investigação psicanalítica da formação do símbolo, do inconsciente, da cura pela palavra, da história familiar, da identificação materna e paterna, e do corpo fragmentado”.
Trata-se de uma exposição bastante abrangente, atravessando diferentes décadas de trabalho, e muito emocionante, pelo assunto e pela força das imagens.
Está em cartaz no Museu de Arte Moderna, que fica no Parque do Flamengo.
A partir de hoje até o dia 13 de novembro.

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